O CASO EVELINA
No livro Entre a Terra e o Céu, o autor espiritual André Luiz, nos relata suas aventuras no astral e na crosta, sempre acompanhado pelo companheiro Hilário e pelo instrutor espiritual Clarêncio. Neste livro, aparece mais um personagem, a Eulália. Tudo começa quando uma menina chamada Evelina, em apuros, faz comoventes pedidos à sua mãe já falecida, a Odila, mas esta, estando ainda sofrendo pelo segundo casamento do pai de Evelina, não tem condições de atendê-la, sendo ainda ela própria, quem ainda precisa de muito auxílio. Em virtude desta situação difícil e de muito sofrimento, nossos amigos resolvem vir à crosta para verificar a situação de perto. O texto selecionado para hoje, é rico
“Passeando em nós o olhar muito lúcido, concluiu:
— Desejariam cooperar conosco na tarefa assistencial?
Sem dúvida, o caso fascinava-nos a atenção.
O orientador, no entanto, recomendou esperássemos dois dias. Desejava inteirar-se, a sós, de todas as ocorrências, para instruir-nos com segurança, quando estivéssemos a usufruir-lhe a companhia.
Nossa excursão, todavia, foi marcada e, no momento preciso, achávamo-nos a postos.
Sem delonga na viagem, Clarêncio, Eulália, Hilário e eu encontramo-nos em residência modesta, mas confortável, num dos bairros do Rio de Janeiro.
O relógio citadino acusava exatamente vinte e uma horas.
Entramos.
Em estreito compartimento, à guisa de gabinete de trabalho e biblioteca, um homem de trinta e cinco anos presumiveis lia, com visiveis sinais de preocupação, um manual de mecânica.
Na secretária singela, desdobravam-se publicações diversas, denunciando-lhe os estudos.
Clarêncio, assumindo com mais propriedade o papel de mentor do nosso grupo, informou, gentil:
— Este é Amaro, o chefe da casa. Tem, no longo pretérito, complicados compromissos. Em muitas ocasiões, usou projetis e lâminas de ferro para o mal. Hoje. é servidor categorizado numa ferrovia...
Em seguida, passamos a gracioso quarto próximo.
Encantadora adolescente de catorze anos bordava iniciais num lenço de linho.
Magra e triste, parecia concentrar a mente nos olhos grandes e serenos. Não nos assinalou a presença, mas, ao contacto das mãos espirituais do Ministro, revelou indefinível contentamento interior.
Instintivamente, desviou o olhar do pano alvo e fixou-o num retrato de mulher que pendia da parede. Sorriu, enlevada, qual se conversasse com
a imagem, enquanto Clarêncio nos dizia:
— Esta é a nossa Evelina, cuja reencarnação foi por nós organizada, faz alguns anos. A fotografia é uma lembrança da mãezinha que já partiu. Evelina está ligada aos pais, através de imenso amor, desde séculos remotos. Veio ao encontro de criaturas e situações das quais necessita para a garantia da própria ascensão, mas trouxe também consigo a tarefa de auxiliar os progenitores. No momento, acredita- se amparada pela mãezinha, entretanto, pelos méritos já acumulados na vida espiritual, é ela mesma quem continua socorrendo o coração materno, ainda em luta...
Abracei, comovido, a mocinha extática, que se guardava em luminoso halo de tranqüilidade e, por alguns instantes, meditei na grandeza do amor e na sublimidade da oração”.